Parque Estadual do Cantão

 

Águas Interiores do Cantão

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As águas interiores do Parque Estadual do Cantão são o componente mais crítico de seu ecossistema.  Delas depende a cadeia trófica do parque, a importação anual de nutrientes na forma de peixes e na forma de matéria orgânica em suspensão trazida pelas enchentes.  Além disso, delas depende a reprodução da maior parte das espécies comerciais e esportivas de peixe de toda a região.  As águas interiores do Cantão incluem lagos abertos, lagoas no interior da floresta e centenas de quilómetros de furos e canais que entrecortam o delta do Javaés. Os lagos do Cantão são meandros abandonados dos inúmeros canais e furos que o Rio Javaés formou em seu delta ao longo dos séculos. Todos os lagos e furos do Cantão ficam interligados durante as cheias, quando as águas negras do Javaés crescem in inundam todo o delta. Durante a seca, os lagos ficam isolados. 


Existem 843 lagos no interior do Parque Estadual do Cantão, e aproximadamente 900 no Cantão como um todo. Todo o restante do médio Araguaia tem aproximadamente 200 lagos de meandro abandonado, ilustrando a importância desproporcional do Cantão para o ecossistema desse grande rio. Os lagos de meandro abandonado são locais de reprodução para muitas espécies de peixe, e por concentrar 80% dos lagos da região o Cantão é conhecido como o "berçário do Araguaia". O tucunaré é apenas um de muitos peixes prezados por pescadores esportivos que se reproduzem nas águas interiores do parque durante a seca. Outra espécie que vive e se reproduz nos lagos é o pirarucú, o maior peixe de água doce do mundo, cuja população está em declínio em toda a Amazônia devido á pesca predatória. Os lagos de difícil acesso do interior do Cantão são um dos últimos santuários dessa espécie.


Durante as enchentes, quase todas as espécies aquáticas do parque podem ser encontradas em suas águas interiores. Durante a seca, os peixes se concentram nos lagos isolados, fornecendo alimento em abundância para predadores como a ariranha, o boto, o pirarucú, o jacaré-açú e o jacaretinga. Nas margens dos lagos pescam cinco espécies de martim-pescador e nove espécies de garça, além de especialistas como o pavãozinho-do-pará e o coró-coró. Mais longe da orla pescam biguás e biguatingas, mergulhando até o fundo atrás de suas presas. Até a onça-pintada aproveita a abundância de peixes durante a seca, mergulhando nas lagoas mais rasas ou capturando peixes grandes quando estes passam pelos canais rasos que interligam poços mais fundos.


Não existe no médio Araguaia outra região comparável ao Cantão, com seus inúmeros lagos e canais.  A degradação desse sistema resultaria no empobrecimento do ecossistema do parque, em grande redução das populações de aves aquáticas e predadores, inclusive espécies ameaçadas, e num colapso da pesca em toda a região.  Esse processo não é uma ameaça remota.  A Ilha do Bananal já perdeu a maior parte de seus lagos, e a pesca já entrou em processo de colapso nas regiões de maior concentração populacional.  A contenção e reversão desse processo é prioridade absoluta para o manejo do ecossistema do Cantão.