Monitoramento da Ictiofauna do Parque Estadual do Cantão

O projeto Monitoramento da Ictiofauna do Parque Estadual do Cantão, iniciado em Agosto de 2013, almeja monitorar a recuperação da população de peixes em lagos com proteção efetiva, e também comprovar o efeito desses lagos no repovoamento de áreas no entorno do parque, onde a pesca é permitida.  Peixes importantes para a pesca comercial e esportiva serão marcados e recapturados, sua população estimada, e sua dispersão para áreas onde a pesca é permitida será acompanhada com a participação de pescadores da região.  Ao mesmo tempo, será realizado um censo anual de pirarucus, permitindo uma análise comparativa entre lagos sem proteção e lagos com vigilância permanente.  Assim, com o apoio da Fundação Grupo Boticário, o IA poderá demonstrar a importância da proteção dos lagos do Cantão para a recuperação da pesca no médio Araguaia. 

Justificativa:

O Parque Estadual do Cantão contém mais de 850 lagos - 80% dos lagos de toda a bacia do Araguaia.  Essa abundância de lagos, aliada a alta produtividade de seus igapós, fazem do Cantão um dos locais mais ricos em peixes de água doce do planeta, com 301 espécies catalogadas até agora – mais do que em toda a Europa, e mais do que no Pantanal Matogrossense.

A maior ameaça atual ao ecossistema do Cantão é a pesca ilegal.  Com o crescimento do Estado do Tocantins, tanto a pesca profissional quanto a esportiva cresceram vertiginosamente na última década.  O preço do pescado na região aumentou mais de 1000% desde 2001, e os estoques das espécies mais procuradas estão em colapso por todo o Araguaia.  Conseqüentemente, os lagos do Cantão vêm sofrendo crescente pressão de pescadores que invadem o parque, retirando constantemente dali quantidades significativas de pescado.  Ao acampar furtivamente no interior do parque e negligenciar cuidados com fogueiras, esses invasores ainda provocam incêndios que podem devastar grandes áreas durante a seca. 

A proteção efetiva de lagos do Cantão como berçários de toda bacia do Araguaia exige vigilância permanente, pois uma única incursão por pescadores pode destruir os estoques de reprodutores de um lago.  Em parceria com o Naturatins, o Instituto Araguaia exerce esse tipo de vigilância num conjunto de 20 lagos ao redor de sua base.  Funcionários do IA se revezam vigiando a área 365 dias por ano.  Pesquisadores e assistentes constantemente percorrem as trilhas de pesquisa, e se necessário solicitam patrulhas do Naturatins.  Como resultado dessa presença constante, as invasões e a pesca ilegal foram reduzidas a níveis insignificantes nos lagos ao redor da base, e a população de peixes aumentou marcadamente nos últimos anos.  O numero de pirarucús de grande porte nos lagos protegidos é notável, e entrevistas informais com pescadores da região indicam que a pesca no Rio do Côco, no entorno do parque próximo a base, vem melhorando nos últimos anos.   

Métodos e Objetivos:

O projeto consiste de dois componentes:

  1. 1.Monitoramento comparativo da população de pirarucús em três lagos com diferentes níveis de proteção efetiva.


Esse monitoramento utilizará o método de contagem desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá.  Serão efetuadas contagens em três lagos: o Lago das Ariranhas, onde fica a base do IA, que não é pescado há mais de dez anos; o Lago da Praia, perto da base, que não é pescado há dois anos; e o Lago do Cega-Machado, que sofreu invasão e pesca com rede em 2012, mas onde a implantação do ProCantão e do Projeto Ariranhas por pesquisadores do IA deve resultar numa diminuição drástica da pesca ilegal daqui por diante. 

  1. 2.Estudo de marcação-e-recaptura de peixes de importância para a pesca regional.


Para esse estudo serão capturados peixes de valor comercial ou esportivo em lagos protegidos da área de pesquisas do IA.  O enfoque será em espécies characiformes como os pacús, os piaus e os curimatás, que alem de importantes para a pesca comercial e de subsistência são a base da cadeia trófica do Araguaia, fornecendo alimento para peixes maiores e outros predadores.  Os peixes serão marcados com tags numerados de vinil, e a espécie, local e data de captura serão registrados.  Serão marcados peixes de várias classes de tamanho, durante todos os meses do ano, para caracterizar em que fase da vida e em que ponto do ciclo de cheias e secas ocorre a dispersão.  A meta é marcar 3000 peixes durante os 24 meses do projeto.  Peixes marcados e recapturados no mesmo lago pela própria equipe do projeto permitirão estimar a população de cada espécie nos lagos monitorados, e as alterações na composição de espécies de um ano para o outro.  O projeto será também amplamente divulgado nas colônias de pesca, associações de guias e barqueiros e outros fóruns, com recompensa de R$ 10 por marca devolvida com informações sobre o local e data de captura, incentivando a comunidade a participar do projeto e gerando dados sobre a dispersão das espécies. 


Projeto ganha Divulgação na Mídia


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